Malditas Contingências Mundanas

by

Caros Colegas,

Estive em reunião com o reitor hoje. Não era só eu. Eram todos os representantes discentes (CAs) da Universidade de Brasília. Lá discutimos muitos dos rumos que a Universidade tende a tomar com o novo reitor. Ele destacou a necessidade de nos mantermos ativos e de estarmos sempre abertos ao diálogo.

Tudo bem, isso foi legal. Acho até que é normal ele dizer essas coisas. Não é pelo que foi dito que estou escrevendo a vocês. Escrevo porque lembrei, hoje, do que deixei de desfrutar ao entrar no escritório. Talvez eu esteja sendo extremista. Talvez minha forma de ver a vida não importa nem diz respeito a vocês. Mas tenho a sensação de que meus sentimentos podem ser compartilhados. Ou talvez isso tudo seja um grande desabafo.

Enfim, lembrei hoje porque me apaixonei pela Universidade de Brasília. Ela, por mais feia e desarrumada que seja, é o único lugar que me sinto pleno, que me sinto em toque com minha existência. Existência no sentido de criar mesmo. A filosofia existencialista parte desse pressuposto. Existir é criar, é inovar, é fazer algo seu. A Universidade é justamente isso. Ela é o nada que precisa ser preenchido. Por nós, por eles, por mim, não importa. Ela se abre para tudo e todos. Ou pelo menos ela deveria ser assim.

Pois é, hoje, sentado ao lado de uma colega do curso de direito, mas envolto por centenas de pessoas de outros cursos, lembrei disso. Do plural, do não repetitivo. Daquilo que permite o sentimento fortíssimo que é a paixão. Ninguém se apaixona pelo mecânico, afinal. Nós normalmente nos engajamos em projetos que podem ser nossos e feitos de nossa forma. O repetitivo, o pré-estabelecido, o que não necessita pensamento, intuição ou qualquer característica humana simplesmente não vale a pena. Claro, isso é minha opinião. E é minha opinião porque sou uma pessoa movido por minhas paixões, por minhas vontades e anseios. Não sei como consegui pensar por um único segundo que um salário de 600 reais, mais 400 de VR compram os momentos de paixão que vivi e posso ainda viver na Universidade. Não sei quanto a vocês, mas já me sinto dizendo adeus àquele mundo, pois sei que, no ritmo atual, nunca mais passarei uma tarde estudando na biblioteca. Isso não me parece certo. Isso não me parece humano. E depois ainda tenho que escutar que o trabalho integral é o que contribui à nossa formação. Talvez não enxergue o mundo tão bem, mas não sei, sinceramente, como um dia inteiro de falta de criação e de completa subordinação aos ditames mecânicos do mundo Levyano podem contribuir para minha, sua ou a “formação” de qualquer um.

Não sei quanto tempo agüentarei mais, mas acredito que, se não fosse pelo meu pai, que não quer mais me sustentar, eu iria embora hoje. Sem nenhum pormenor e sem nenhum medo de ser feliz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: